Domingo, Agosto 31, 2003
A LITTLE LESS CONVERSATION
(Uma Pequena e Pouca Conversação)
Como vocês bem sabem, um treinamento nunca e em hipótese nenhuma termina. Ele continua sendo sempre aprimorado, repetido até a exaustão até que se alcance a perfeição.
Talvez a perfeição nunca seja alcançada, mas pelo menos perto dela, suas habilidades e conceitos estarão tão evoluídos que, quando você precisar, dificilmente ela irá surtir algum tipo de efeito em sua vida!
Mais uma vez, por meio de um relato decisivo na vida deste boqueta, uma historia que comprova toda a trajetória de treinamento que culmina no sentido universal da existência humana: O relacionamento e conhecimento de novas pessoas. Isso, é claro, não é uma verdade universal, mas a existência humana foi criada a partir da sopa primordial e através de incessantes descargas elétricas as células unicelulares começaram a se dividir trazendo fagocitoses e divisões múltiplas.
Já no segundo ano do colegial, o modesto e simplório Geta tinha ganhado mais alguns pontos de experiência e, longe de ser uma pessoa reservada já conversava com mais de três pessoas depois de três semestres de convivência diária.
Lendo mais de dois gibis por dia, além de aniquilar seu ordenado de estagiário em porcaria nenhuma como camisas de super heróis, action figures, estatuas de resina e especiais de HQ´s, já tinha construído uma reputação que o defendia e o deixava longe dos perigos horrendos do mundo adolescente. Ele era um Nerd.
Como sempre, antes de todos os acadêmicos se dirigirem as suas digníssimas salas de deliberação, confabulavam no panteão das mentiras, das vantagens e piadas sórdidas: O Pátio.
Geta, depois de aprender uma dolorosa lição dois anos antes, tomava cuidado ao adentrar pelos portões negros e chapados de sua nova escola. Cursando administração, não tinha a mínima convicção de que isso lhe serviria na vida, ia à escola por puro e simples ato reflexo e claro, ler gibis.
Em um dia, diferente de todos os outros, sentou-se nos frios bancos de concreto que se erguiam como uma arquibancada do lado direito de que entra nos domínios daquela escola técnica. Como de costume e nada diferente dos outros dias, assim que se acomodou no sólido construto, sacou de seu fichário um especial do mês publicado pela Detective Comics e começou a ler.
Longe e indiferente de tudo o que acontecia ao seu redor nem notou quando duas figuras masculinas e três femininas se juntaram a sua peculiar companhia. Lançando, com o canto dos seus olhos, um olhar de desconfiança e interesse, percebeu que uma das garotas olhava para ele. Não olhava para o gibi ou para a sua mão sulcada de veias que pulsavam o sangue sacerdotal, ela olhava para ele e, enfim, ele olhou para ela e a encarou.
A compilação de edições passadas encadernadas em um especial foi se fechando lentamente enquanto a garota se dirigia para a direção de Geta. Quando finalmente se fixou diante dele, travou seu olhar nos dele e por um centésimo de segundo acreditou que aquele estatua sólida e pura, rebocada na sua frente tão frio como o concreto no qual estava sentado fosse normal, mas não... Ele era um Imperador!
Com a calma e a sutileza que todo o ser feminino possui, inclinando-se gentilmente ela pergunta delicadamente: Oi! Você tem nome?
Girando suas órbitas oculares até encontrar o ângulo ideal para encarar a garota Geta responde: Tenho!
De forma simples e ainda interessada, a garota continua: E... bem, e eu posso saber?
Mas é claro! Abrindo o especial Geta tranqüilamente vira as folhas tentando encontrar o fio de sua leitura.
Por uns instantes a figura feminina parece confusa e ainda permanece em frente a Geta, como se tentando entender: Ok! Então... qual é o seu nome?
George. Agora com licença... O sinal já vai tocar... e eu ainda preciso comprar meu pirulito!
O que é o talvez, se não a completa ausência da certeza?
Terça-feira, Agosto 26, 2003
THE STONING
(A Pedrada)
Conforme prometido, pouco a pouco estamos colocando as experiências vividas por alguns dos boquetas que atualizam essa bicheira e, desta forma, evitar que erros e colapsos cometidos por alguns não sejam repetidos por outros.
Com esses relatos, tornaremos a vida de muitos mais digna e fácil... Neste post, um relato ainda mais juvenil e precoce da vida de um boqueta profissional. Nesta fantástica historia, Geta sente pela primeira vez o poderio que corria em suas veias e vislumbra o destino através de uma PEDRADA:
Como eram grandes e macabros os portões na escola primária. Na realidade gigantescos... Principalmente quando você tem cinco anos e mais ou menos 1,20m de altura.
Sempre acabrunhado e tímido, Ziza adentrava nos domínios escuros e frios da escola Presidente Dutra com medo e desconfiança. Enquanto muitas outras crianças corriam para o pátio como quem corre para um pote de doces, Geta respirava o ar frio e calmamente entrava na fila indiana que se formava diante das professoras.
A fila era disposta sempre da mesma forma e, como que em um presídio, os companheiros de sela acabam de tornando amigos. O camarada que sempre estava na sua frente era pequeno, tagarela e insano. Seu nome era Delfo.
Vai saber em nome de tudo o que há de mais sagrado no mundo, por que um pai coloca um nome desses em seu filho? Pois bem, fosse como fosse, Delfo era a pessoa mais próxima de Ziza e, depois de Delfo, somente Paulinho. Este, o satanás na pele de uma criança.
Paulinho era a típica criança desobediente e que, com certeza via espíritos... além de ter uma pontaria descomunal, como eu constataria mais tarde.
Entrávamos em fila, seguíamos por um imenso corredor até a sala de aula e lá nos eram aplicadas atividades para relaxarmos e sermos mais obedientes. O cheiro da massinha colorida era como um sonífero em nossa tenra idade. Os gizes de cêra também! Hoje eu acredito que uma criança manuseando um giz de cêra cerca de trinta minutos desfalece em sono profundo... Pena que Paulinho era imune a esse tipo de artifício aplicado pelas professoras.
Sempre depois do café da manha, uma xícara de meio litro de achocolatado e bolachas de leite, as crianças eram levadas para tomar sol e gastarem o resto de energia que tinham no corpo. Isso garantia às professoras de duas a três horas livres para fazerem o que quisessem. Depois do recreio sempre vinha a hora do soninho.
Um dia, Paulinho incorporou uma entidade. Era hora do recreio e todos brincavam felizes. A gangorra estava repleta de crianças, o gira-gira parecia uma centrífuga, os balanços quase chegavam ao espaço e a gaiolinha com tantas crianças que parecia uma pirâmide humana. Paulinho, como uma setinela do capeta, contemplava as lascas de granito... De repente, agachando-se de súbito escolheu uma pedra e, repentinamente travou seu alvo e lançou o minério com a precisão de um caçador e a violência de um meteorito.
O alvo, que não podia ser diferente, era a minha cabeçorra de pichorra. De costas para o meu algoz, a única coisa que eu senti foi uma pontada lancinante que me fez olhar para traz com uma fúria sem igual. Enquanto ele rinchava uma gargalhada de deboche, eu fui me aproximando... eu ia matá-lo.
Quando estou perto o suficiente para desferir o golpe, Delfo lança um grito de alerta e pavor: Nossa! Cê ta sangrando!
Passando a mão pela ferida, senti o mel descer gostoso, fluindo como uma cachoeira. Olhando minha mão para constatar o óbvio, me senti fraco e zonzo, tamanha quantidade de sangue que brotava da minha cabeça. Praticamente um traumatismo craniano...
Chorando, fui levado até o pronto socorro onde ganhei três pontos, um corte de cabelo bem original e o apelido de careca!
Sábado, Agosto 23, 2003
TREINAMENTO DE BOQUETA
Há alguns anos atrás um novo conceito de vida foi criado e, a partir deste novo conceito uma legião de asseclas e acólitos tomaram como religião esse novo conceito, tornando suas vidas mais difíceis e humilhantes. Acreditando que esse é realmente o sentido de se viver, transformaram a convivência e as ações do cotidiano, mais complicada e perturbadora.
Se tornar um boqueta ou seguir a boquetice é algo extremamente complicado e difícil. Por isso, os nossos grandes representantes no mundo atravessaram agruras tão intensas e tempestuosas que, no fim de um quarto de século transformaram-se nos maiores ícones ´ sacerdotais` que esse conceito pode aceitar.
Com uma série de contos e experiências, traremos para este BLOG as fantásticas aventuras e desafios travados por esses homens. Para proteger a identidade destas personalidades, nomes vão ser trocados ou alterados, por exemplo para que entendam, no relato abaixo George foi substituído por Ziza... e assim por diante. Hoje, com vocês, High School Tumble ( Tombo no Colegial):
Sempre por volta das 6:00H da manhã Ziza era acordado por seu pai. Por estudar no período matutino, tinha de acordar cedo e isso, para ele, era um martírio.
Ziza, agora com seus quatorze anos, enfrentava a adolescência, a mudança de voz, as espinhas e o crescimento acelerado... para os lados.
Gordinho e desajeitado, o desgraçado quase não tinha amigos e quando chegava nos portões azul de sua escola do curso secundário, se misturava por entre os outros estudantes e singrava o pátio rumo a sua sala de aula. Era assim todos os dias.
Acordava, comia bolacha de chocolate, um copo gelado de Nescau, vestia a camisa branca, a calça de moletom, encarava o fichário, contemplava a porta, repetia algum mantra como: Minha vida é uma merda, ou ainda: Eu odeio a escola! - e seguia para o seu destino.
Lá vai o velho Ziza com o seu fichário debaixo do braço, as canetas, a borracha e a calculadora presas pelo seu corpo. Se arrastando por quase dois quarteirões, ao virar a esquina para avançar rumo ao colégio, estufava o peito e apertava o passo, dessa forma não encarava ninguém, passava despercebido e o melhor, não precisava conversar com ninguém. Lá vai o velho Ziza.
Da esquina que dobrava o quarteirão, Ziza contemplou de forma diferente o portão azul e toda a extensa dimensão de asfalto que o separava de seu objetivo. Uma aglomeração de estudantes, garotas e garotos que se espremiam e se exibiam, conversando e brincando enquanto esperavam o último sinal de alerta para a entrada.
Para Ziza, aquilo parecia um estouro de gnus, tamanha concentração de adolescentes, praticamente umas 1000 pessoas. Uma platéia histérica e entusiasmada para prestigiar um espetáculo inesquecível...
Singrando a imensidão a sua frente, passos rápidos e ligeiros iam trazendo os grandes portões azuis. Invadindo a multidão Ziza aprendeu uma lição de humildade que nunca mais se esqueceria. A passos largos, se esquivando das pessoas como que em um labirinto, sua destreza o abandonou.
Uma torção no tornozelo e a perda de equilíbrio arremessaram a bolinha de gordura meio metro para frente, fazendo-o tombar como uma arvore, atingindo o solo como uma bomba de bosta. Enquanto flutuava, antes de concluir a queda, Ziza contemplava toda a sua platéia. Seu fichário, lapiseira, borracha e canetas voavam pelo espaço, indo longe... indo para o longe.
A batalha contra a grande gravidade era inútil e, a pressão da torcida empurrava com mais violência Ziza para a lona. Quando ele mesmo tocou o chão, a euforia e o êxtase da galera cortou o quarteirão com um bordão de comemoração:
Vai seu trouxa! Toma idiota!
Reconhecendo a derrota, Ziza ergueu a cabeça e só pode ver os 1000 dedos indicadores direitos apontados em sua direção. Levantando-se e tirando o pó do asfalto de seu corpo Ziza ainda fez um aceno agradecendo os elogios que lhe eram direcionados: ´ Vai seu trouxa! Toma idiota!`... Agachou e pegou seu fichário, ajeitou a postura e adentrou pelos portões azuis.
Naquele dia ele não escreveu ou fez contas de matemática. Do que lhe serviria as canetas, a calculadora e a borracha?
Quarta-feira, Agosto 20, 2003
Devagar quase parando
Nossa hein? Como anda difícil passar por aqui e escrever qualquer coisa, não? Pois é minha gente, ISTO é parte do ser boqueta. Começa-se algo a princípio muito interessante, muito legal e aos poucos começa-se a perder o interesse até abandonar a coisa por completo. Tempos depois fica-se lamentando po ser boqueta e de não conseguir levar nada adiante. Nem dar um rumo na vida.
Calma, ninguém precisa entrar em pânico ou se jogar pela janela. Não quero dizer que o blog sairá do ar ou coisa do tipo, só estou meio que justificando a atual cadência de posts.
Aliás, acredito que o componente Ferdo deva ter morrido. O último post dele virou história e já não fazia sentido nenhum. Ou seja, deve ter ficado louco de vez e foi internado no manicômio mais próximo.
Presumo eu, não sei...
Domingo, Agosto 10, 2003
ABDUZIDO
Todos devem estar se perguntando: Mas o que foi que aconteceu com aqueles caras idiotas que não escrevem nada de interessante em um BLOG ridículo que ninguém visita e pensam que são descobridores de casos fantásticos e extraordinários que na realidade são só mentiras deslavadas e insanas que não prestam para nada?
Pois diante desta pergunta eu mesmo a respondo... Somente por mim e por mim mesmo pois, eu tenho medo de respondê-la uma vez que o que me afastou de minha rotina e das atualizações foi algo perigoso e realmente difícil de acreditar...
Estava eu no dia 28 de junho, uma segunda-feira, voltando para casa depois de um dia laborioso de trabalho quando vejo um ponto luminoso no céu. Eu estava sozinho na rua e como já era perto das 20:00h da noite, parei por alguns instantes e observei o ponto luminoso. Intrigado com os movimentos erráticos que ele produzia no céu, fiquei realmente curioso e ao mesmo tempo hipnotizado. O que parecia improvável e incompreensível aconteceu por volta das 20:01h daquela inesquecível segunda!
Como uma estrela cadente que cai de um lugar muito alto, a luz se aproximou de mim a uma velocidade bem rápida e praticamente veloz que, se medida por algum radar provavelmente ia ser a mais veloz já captada por um velocímetro.
Com um tamanho de aproximadamente 30 cm a luz pairou sobre minha cabeça e desferiu uma rajada certeira no meu olho. Uma luz tão intensa e grande que por alguns instantes me cegou e eu não conseguia ver mais nada. Foi então que aconteceu. Uma voz incompreensível e diferente de tudo o que eu conhecia falou bem perto do meu ouvido como que querendo que só eu escutasse o que ela estava dizendo.
"Vá para o oeste... Ele é amarelo..." Foi isso o que eu consegui entender. Assustado com a mensagem, tentei correr e, quando dei por mim notei que estava a mais ou menos uns 5 metros de altura do chão. Em pânico eu tentei gritar e a voz disse: "A epiglote de junta ao duodeno se isso fizer você, esperto seja e as ondas serão mais menores. Faringe não respira como seu rim... pense e seja esfíncter!"
Claro que aquilo fez mais sentido do que uma ameaça e me mantive quieto por alguns momentos. Quando minha visão se restabeleceu inteira e completamente, eu já podia ver de novo. Ao olhar para cima, um domo colorido e espelhado me envolvia como um edredom macio.
Tentando entender o que acontecia, uma mão gélida e áspera pegou minha canela e como se estivesse fazendo carinho disse com um tom agressivo: "Carniça, carniça entre o ventre!"
Com medo e assustado, tentei me levantar e correr... a última coisa que eu senti foi uma cócega na nuca.
O que me pareceu um sonho foi por fim constatado realidade no fim do dia 06 de agosto quanto me acharam em cima de um prédio comercial, vestindo uma camiseta do Malutron e falando algo como: "Amarelo! O oeste é Amarelo!"
Vocês podem não acreditar na história maluca que eu acabei de relatar aqui, mas eu não duvidei dos homenzinhos verdes que me abduziram para experimentos e nem da nave discóide colorida com formato de disco com várias cores que eu vi no céu...
Eu ainda sinto dores lombares e quando faço necessidades, dói um pouco...
Conselhos
Bom, vou contar duma vez: eu estava num retiro espiritual. É isso mesmo, o sumo-sacerdote esteve ausente este tempo todo por estar meditando sobre sua existência enquanto ser humano e enquanto componente da sociedade. Detalhes maiores serão descobertos em posts futuros, mas por enquanto direi uma das descobertas que fiz: todo boqueta é um ótimo conselheiro.
Acho que ainda não disse por aqui sobre a escala de boquetice que criamos, certo? É bem simples, ela vai de 1 a 10, sendo que 1 é o mínimo (uma vez que é praticamente impossível ter ZERO de boquetice) e 10 é o máximo ACEITÁVEL, ou seja, algumas pessoas ultrapassam facilmente este limite e como consequência se tornam por demais excêntricas e com muitas manias. São insuportáveis em alguns casos.
Quanto maior seu nível de boquetice melhor conselheiro você se torna, mais as pessoas o procuram para desabafar e descobrir um caminho rumo à melhora. Agora, como bons boquetas, damos conselho que é uma beleza, mas seguir o que aconselhamos a tantos, nem pensar. Não faz parte de nossa natureza.
Não é à toa que nosso Imperador tem cara de padre/pastor, todos o procuram para desabafar seus problemas, até mesmo desconhecidos na rua. Além do mais, ele trabalha orientando e aconselhando os funcionários em como otimizar sua produção. Aí vocês ficam curiosos pensando: "Mas peraí, qual o nível de boquetice do Imperador?" E eu lhes digo: "Tenham paciência, em breve a verdade será revelada."
De bons conselhos e boas intenções o mundo está cheio, mas ninguém sabe fazê-lo como um genuíno boqueta.
Terça-feira, Agosto 05, 2003
Vida de boqueta não é fácil...
Olá pessoal. Antes de mais nada, deixem que eu me desculpe com as 2 pessoas que lêem este blog. Está mais que claro que não postamos nada já faz um tempo, não? Pois é, fatos extraordinários aconteceram com os 3 boquetas que escrevem. Ainda não consegui falar com os outros dois para saber exatamanete o que aconteceu, mas como boquetas que se tornam amigos têm uma certa conexão telepática, sei que estão vivos e ainda têm as mãos para digitar. Não tenho como precisar quando o farão, mas sei que será em breve.
Nos próximos dias contarei o que houve comigo. Aguardem...
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